domingo, 25 de outubro de 2009

O universo é finito


Quase toda ouvidos, quase toda coração, quase toda corpo... Dois pinguinhos de mãos caídas... Uma pitada de boca, quase toda beijo... Dois bracinhos roliços, quase toda abraço... Duas perninhas curtas, quase toda passos. Duas pétalas de olhos quase todas as noites abertos, quase a vida toda fechados. Na alma uma porção de medos, quase toda riscos... Nos dedos dez unhas quebradas, quase todas as ruas cavadas... Nas entranhas o rastro do filho nascido, nas entradas sabor do amor perdido...
Quase toda saudade, quase toda sonho, quase íngreme, quase uma ladeirinha donde vazam os polens das pétalas... Uma ponte, quase uma corrente de energia humana, quase invisível, quase (ex)instinto, toda essência...


Joyce Rodrigues

terça-feira, 14 de abril de 2009


Trilhos frouxos
Desvirtuou-se o vagão de um destino qualquer...
Há sempre um eixo invisível
Há sempre um mistério indizível
Nos interstícios dos poros...
Sem querer, nos flagramos olhando de cima,
Além dos que os poros podem exalar,
Cheiro de café ou de merda;
Não importa, o dilema é problema da razão
O sentimento não se conhece
A razão se compromete, em Dizer.
A língua sacoleja
E ir a Dizer ficou fácil...
Mutável Dizer,
Conhecer-te tornou-se o eixo invisível,
Conhecer-me tornou-se momento
Crivo, infalível do tempo
Que agoniza, entre bichos enamorados...
Dois bicudos que se beijam
Línguas que se entrelaçam
Guerra entre mim e meu destino,
Mim é palavra
Desatino, que não se beija,
Sou eu mesmo, o caminho
Espinho que se maltrata
Quando doado a bela, que o espinho jamais poderá ser.
A rosa dada a bela
O sangue dado ao espinho...
Ora! É minha veia assanhando um desgaste,
Pois nada além de sangue a mais da sela, é cavaleiro
Nada além de cavaleiro derramar sangue por assanhamento,
Nada além de um cavalo;
Ora veia, ora bela, ora égua,
Era espinho
Com seus desejos de humano,
Que sabe ver os seus delírios
Correm os trilhos, os hinos,
Os sentidos inventados, cavalo,
Cachorro, gato...
Tudo cheira e exala pelos poros
Que flagram de cima:
Bebendo café e inalando merda.

Joyce Rodrigues em parceria com Jessé Castilho

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pés de chumbo


Braços frustrados; Pés pesados.

À sete palmos eu choro sua distância.
Eu sou tristonho te enfiando pés cabeça sete palmos.


Peço: ― catalepsia!!!


Eis que ressurge Unhas de Ferro!


Penetra em meu corpo arrependido e cansado este desajeitado...
Dança ao meu lado e não pensa
este morto-vivo, zumbi, a quem tenho amado...


De Joyce Rodrigues para Raphael Costa

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Os tubos de uma vida

Sou tão milhões mim. Quero fazer tudo. No entanto, uma descoberta me persegue. Pegadas de sangue que deixei. O tudo não me contenta. O tudo me deixa incompleta e nem tudo que quero faz o que é bom pra mim.
Sabendo-se errando, decido reunir tudo que tenho em mim, sacolejo bem para ver no que vai dar. O incômodo insistente é ter que fazer isso tantas vezes. Tem que se tirar um pouco de amor pra pôr um pouco de pedra. Tirar um pouco de rima, tascar grito. Menos um cadinho de briga, um cadinho a mais de perdão. Uma poção de ódio, o que é difícil encontrar o ponto, posto que toda vez que ponho ódio, perco um espacinho de paz.
Cada experiência que faço explode uma bomba no meu laboratório. Cada vez mais caquinhos de tubos de ensaio em meus olhos, cada vez mais rastros... Volto à rotina juntando dinheiro para mais tubos. O mundo não pode esperar. Com a pseudo evolução agora posso globalizar meus sentimentos através de um mistério, que será para mim, sempre indecifrável; mistério este chamado internet. Nunca vou saber como aquele louco, mais do que eu, conseguiu inventá-la.
Bamba ponte entre mim e o mundo. Braços tão grandes que podem abraçar o planeta, desde que lá tenha energia elétrica, o que é mais fácil de ter numa cidade do que livrarias.
Tendo eletricidade e coisas de cidade grande, numa das experiências: tirei um pouco de livros e pus um pouco de internet. O que posso dizer é que hoje amo ainda mais os livros.
Curto o movimento dos dedos quando obedecem meus punhos e meus punhos obedecem... Enfim, não sei que parte do meu corpo meu pulso obedece; não sei se minhas idéias guardadas no espaço, coração, ventre, entranhas, arrepio da pele... Não posso dizer que “na verdade” porque esta eu desconheço. O que posso dizer é que interpreto que seja uma fusão de tudo. Compreendo que genericamente cada poema que escrevo é um big-bang que se cria dentro de mim. Posso afirmar que veio de um relativo nada. Gero estrelas e sorrisos, choro doído, também pieguice e maldade.
O ato de parir dói em qualquer circunstância; que nasça um universo um poema uma pessoa... Se olharmos de perto cada parte da construção do mundo já se foi poema desde o princípio, antes mesmo dos homens os pescarem para alimento da alma.
O poeta é um pequeno ventríloquo, escravo do poema do mundo, já recitado pelo som das ondas, canto dos pássaros, das nascentes, do vento, do som dos partos que se quebram os ovos...
Depois, os poetas tornaram-se escravos dos sons das placentas se rasgando, do choro de um bebê assustado jogado ao mundo e dos berros de uma mãe despreparada.
O texto sem pé nem cabeça transcreve o poeta. Só o coração fica. Só o peito fica. E fica sentado, caminhos turvos... não pensa e não anda... escreve e deixa rastros... pegadas de sangue que deixei.


O tud(b)o não me basta... preciso de muito menos do que os tub(d)os me presenteiam.


Joyce Rodrigues

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Venha

Lá vieram suas mãos
E junto esses seus olhos embebidos de um desejo.
Que desejo? Perguntaram os meus.
Audaciosa, foi meu corpo pelo seu labirinto
A fim mesmo de se perder...
Lá vieram os meus sonhos
E junto esse jeito forte de me cegar.
Abra os olhos. Disse-me um você,
Já o outro sussurrava deixe-se enlouquecer.
Lá vem ele e seu peso,
Esmaga, atropela, do seu jeito, só desse pode ser.
Embriaga-me a voz, lá vão palavras que não posso crer.
Alimento-me com gula das noites sem fim
Medo que seque a fonte
Medo que se parta a ponte
Resquícios sombrios do passado de mim.
Lá vem de queixo baixo apertando os olhinhos
Sorriso canto da boca
Acorda aquela tal louca
Que cisma se esconder nos meus confins.
Recomeço a dança
Balada da devassa que só ele pode ver
Gentilmente o mundo balança
Tênue. Só nós dois, não mais ninguém
Eu aqui você também.

Joyce Rodrigues para Raphael da Costa

A viagem de volta


A boca é rosa
Os olhos méis
A mão de seda
O corpo céu.
A língua mansa
O peito mar
O coração não cansa
de se enganar.
O poema triste
sabor limão
na paisagem bela
pés de jamelão.
Pisaram em mim
cessaram a canção
verdades verdes
jogadas ao chão.
Joyce Rodrigues, para Raphael da Costa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Verdades verdes I

Suas mentiras disseram-me que iam embora.
Suas verdades esconderam-se por trás de uma macieira.
A serpente tornou-se porta voz de seus pensamentos,
e dizia-me apenas o que queria
e não, nunca dizia o que deveria ou algo próximo de um jeito humilde de humanidade.
Fico de pé, rosto voltado pra cima, sem cansar admiro os olhos da serpente.
Envenenada, esqueci de procurar tuas verdades,
esqueci o caminho de casa e peguei carona com as mentiras que se iam...
Eu e tuas mentiras descansando em meus sonhos...
Quando abri os olhos, assustou-me a percepção de que não havia um homem ao meu lado...
Dei três tapas na serpente a fim de que da macieira caíssem as verdades.
Quem diria que eu ia de querer que verdades caíssem se esborrachando ao chão...
Subi de volta no cavalo,
cabeça e olhos nos montes,
coração na boca,
verdades verdes...


Joyce Rodrigues para Raphael da Costa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bach


Richard Bach

À supremacia feminina


Se sou um saco plástico de supermercado pronto para por na latinha de lixo; então que antes me bata um vento pra eu dançar minha última valsa, livre e rodopiando no furacão do meu terreno!
Se sou aquele copo descartável de fim de festa; que não seja fedido de cerveja quente! Antes de me jogar na lixeira, me põe um caubói e me degusta que eu mereço!
Se vai me pisar, esse chão lamacento; pelo menos que seja pra fazer amor, com quantos seja, mas me faça amor...
Se sou o vaso sanitário da sua reuniãozinha de amigos; limpe seu vômito e não mije na tábua, nunca se cospe pra cima...
Se sou o lençol gozado de motel que nunca foi lavado com decência; me deixe ao menos aquecida nas noites de frio e ligue o ar nos dias de calor...
Se sou eu com você, no meio do mundo, no meio da lava, da merda...
Sorriso na cara... relaxa e goza...

Joyce Rodrigues

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O caminho dos Flamboyants




... onde em tudo há flores ...

Em homenagem à um grande amigo.


O caminho dos Flamboyants - Parte I

Vai descendo, descendo, descendo... até chegar ao fundo. E por que descendo? Mas há um vazio, uma dor no peito... é como se ele tivesse sumido e em suma sumiu, só ficando um buraco, que faz lembrar à cada noite que me vive e por conta dela subvertido, que arranquei o amor dali.
Continuou descendo, descendo, descendo... como Flamboyants que moram à beira de um canal da cidade, e buscam no esgoto, a lembrança que vive incutida em seu instinto de sobrevivência, do sabor da água que um dia foi pura, e mantêm a esperança de que um dia irão chegar, mesmo caminhando milimetricamente pelo tempo, ao momento de embeberem-se do canal. Passam poentes e nascentes admirando e desejando tocar o que seu instinto lhes sussurra ser satisfação e destino.
E foi nos Flamboyants, que presenteiam com beleza extasiante os caminhos "desta que sou", que me vi ao vê-los tombados aspirando a solução e ao mesmo tempo a fossa. Identifiquei o declínio, como os Flamboyants assemelhados ao corpo, o percurso que os olhos admitiam ser destino.
Triste a percepção tardia, de não parar de espiar um espaço vazio - o lugar onde deveria nascer o riacho para refresco do caule, que traria força para levantar a mira dos olhos das árvores para as águas das chuvas que vêem dos céus - como Flamboyants da beira do valão, o instinto mira o esgoto, permanecendo estagnado no buraco do peito.
Talvez esta seja a resposta do por que para se chegar ao fundo precisa-se descer...
De forma ditatorial, a natureza incumbiu-nos de nascer à beira da vala, tendo ápice em apenas desejar o melhor do pior que nos resta do fosso, que ainda com carinho observamos, pois é ele que nos sustenta.
O caminho dos Flamboyans - Parte II
Quando os fiapos dos cabelos do topo do tronco, finalmente iam imergir no esgoto do peito conformado, foram levadas dos Ressequidos Galhos que sobravam: sementes, que viajaram numa corrente de ar inusitada, soprada pelos lábios de um homem bom.
Teve fim o passeio, num canteiro discreto e esquecido de um Shangri-La, que dizem existir escondido em todas as almas.
Rubra e imponente, começa a brotar a primeira flor no peito... assim bem pequena... feito botão de rosa que esconde humildemente a intensidade da beleza que desabrocha ao ser regada.
O delicado bibelô sem espinhos e indefeso, permanecia belicamente de pé naquele lugar misterioso e atraente, ainda que desconhecido. O brotinho, com medo, mas ansioso, agarrava-se aos sonhos que tinha, do que veria e viveria quando finalmente a rosa desabrochasse.
Mas de forma repentina e inesperada, assim como se deu o sopro do renascimento: a flor foi pisada pelos pés de um homem mau. De um jeito rude e desapercebido ao mundo, foi abortado o frágil bebê recém-nascido.
O Ceifador da esperança, permaneceu ao lado, entretanto, mudo e indiferente ao sofrimento. Conforme o carrasco caminhava, e as pétalas mantinham-se presas aos sulcos das botas, inúmeras vezes, o bebê primogênito dos Galhos Ressequidos foi pressionado entre botas e chão: pés ar esmaga, pés ar esmaga, pés ar esmaga... A moribunda Mãe dos restos de sonhos de flor prosseguia seu destino, e cada vez mais se inclinava com mira ao esgoto. O útero foi comprido tornando-se estéril, e útero já seco, não pode ser ninho de flor alguma.
Indaguei-me sobre a má sorte que tomava os prazeres de semear e dar vista à flor. Não foi de surpreender em ter como resposta a mesma pergunta, que somente ecoou pelo vazio e retornou ao princípio.
Sem Glórias, o peito ficou sem ventre, sem Rosa, Margarida, Azaléia ou Camélia... útero sem nome.
Quase sendo fim da odisséia, permanecem atados à Terra: o Indigente, o Ceifador e o Buraco, somente lhes restando velar o corpo de um coração que morreu sem dono...
O caminho dos Flamboyants - Parte III
... o que a ciência não explica ...
Joyce Rodrigues

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A sacada de Olimpo


O que é isso Zeus?
Um olimpo de intrigas pervertidas
repousando sobre o captel das colunas,
que já quase não aguentam a profundidade de suas estruturas rasas,
do tripé manco
sustentando templos de areia,
pois todos nós dispensamos grãos em terras inférteis.
Onde o grão cai nada nasce
nem pode, o útero seco
nem recebe nem doa luz ao mundo
tem apenas uma leve impressão resumida em conceitos
como prognósticos fora da validade receitados por doutores da hipocrisia
no hospital da insanidade
à beira do mar, a beira da morte,
e da sacada
no equilíbrio do parapeito
para querer me arremessar todos os fantasmas do âmago
assombrando a soleira
se derramando sobre cabeças ineptas
mentecaptas
e pára o peito necessariamente por um segundo
uma parada cardíaca
em plena parada de ônibus
A chuva
se une as lágrimas da correnteza o fim no esgoto,
corrente... correntes...
que nunca se quebram
os cálices,
os pré cacos já cortam o pulso
e cerram impunemente o baço
extirpa-o vai ao apêndice,
chega a inflamada pedraria.
Quem nunca pecou, que atire uma pedra do seu apêndice
e tire dos rins da renovação um pingo de força para o alheio,
uma gota de soro,
o açúcar da alma e o sal da genitália,
evolando, exalando
ovulando migalhas
estéreis...
Arraste a bola desta corrente,
pois,
você tem que aguentar pelo menos o seu próprio peso,
o próprio preço da condenação.
A inquisição até hoje nos assola a consciência.
O dilema perpétuo,
o eco luciferificado nas catedrais do inconsciente.


Joyce Rodrigues em paeceria com Jessé Castilho

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Do desejo

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.


Hilda Hilst

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Como a vida deve ser

Ontem a noite fechei os olhos...
Há tempos não se podia fazê-lo...
Acordei em um avião há muitos quilômetros da Terra.

Ao fundo ouvia o piloto: "Senhores passageiros, este vôo não tem destino, portanto, preparem-se para um pouso forçado."

Silêncio...

Todos continuam sentados e amarrados às suas poltronas apertadas. O olhar: perdido na preocupação de onde íamos.

Depois de um tempo levitando pelos ares desconhecidos, percebi que a aeronave saia de órbita. O incrível: nenhuma cabeça explodiu como nos filmes da infância, nem o ar se esgotou na pressão do que ficou pra trás... Consequência insana onírica; medonha de tão livre, e pensamos cinestesicamente em aproveitar a vista.

Os olhos agora, pra fora da janela, matam saudades dos entes queridos disfarçados de estrelas, admiram os destroços de ilusões mascarados de asteróides; corações, dissimulados de aerólitos; buraco negro, agora furacão da alma. Tudo tinha uma beleza tão especial que nenhum olho aberto poderia ver o que os meus fechados agraciavam. Sentir o calor de um corpo sem mente, sem defeitos, sem passado, sem ervas daninhas, CO2 ou raízes... tudo em coma na magia de esquecer até a si mesmo, quanto mais o mundo...

Mas... Como tudo que dorme tomba...

A arte de dormir pode não ser uma atitude, pode ser a falta de escolha, ou excesso de decisão...

As horas começaram a chover e depois de chuvas de horas bombardeando as asas, as horas também começaram a se esgotar e as asas também convulsionavam um tremer ...

A turbulência acorda o monstro do espaço e tempo que devora de uma só vez a casa que me flutuava...

Como avisado no início da viagem, sem destino, de pouso forçado: acordei com a testa ao chão de um quarto frio e meu. Levantei-me sozinha.
Como a vida deve ser...
Joyce Rodrigues

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Livro

Meto as mãos na solidão
Toco pedaços de silêncio

Silêncio claro de luminárias

O livro aberto na escrivaninha
Fantasmas me pedindo:

Poesia, mulher, poesia!



Cida Sepulveda

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

...


O inseto é feio e vive na beleza.

O casamento do céu e do inferno

" Sem contrários não há evolução. Atração e Repulsão, Razão e Energia, Amor e Ódio são necessários à existência Humana."

"Aqueles que reprimem o desejo podem fazê-lo quando este é fraco e passível de ser refreado; e quem o reprime, ou Razão, usurpa seu lugar & governa os relutantes. Uma vez reprimido, ele se torna cada vez mais passivo até não ser mais que mera sombra do desejo."

"Aquele que deseja e que não age engendra a peste."

"O tolo não vê a mesma árvore que o sábio."

"Um morto não revida injúrias."

"A raposa culpa a armadilha, jamais a si mesma."

"O gozo fecunda. A tristeza dá a luz."

"Estejas sempre pronto a dar a tua opinião, e os vis te evitarão."

"Nunca a águia perdeu tanto tempo, como quando quis aprender com o corvo."

"Espere veneno da água estagnada."

"Escuta as críticas dos imbecis. É um nobre elogio."

"Seríamos tolos, se outros já não o fossem."

"Como o ar ao pássaro, e o mar ao peixe, o desprezo ao desprezível."

William Blake


Poentítese


MOTE: Jamais veríamos a luz das estrelas
se o céu não fosse breu.


Quando o breu, que anda vagarosamente em minúcias,
deliciando-se das palavras do poeta
tomar de vez a terra que existe em sua cabeça;
saberá finalmente a função da poesia e
a função do poeta.

E depois que seu corpo
estiver efetivamente destruído,
falido, no breu total do entendimento,
rendido aos prazeres das palavras,
que em saltos mortais saltaram de meu palato,
poderá finalmente saber o que está fazendo
e que por onde caminhou, té aqui tão seguro;
nada menos era, que a beira de um abismo,
cego de tanta luz.

O poeta não caminha frente à luz.
Ele foge, como um vampiro do sol,
quer ser gelo, quer ser o eu lírico apenas,
quer ser morte para não ter que morrer novamente.
Quem conhece a luz não borra o papel com tinta preta,
reescreve os fins no pergaminho com tinta breu.

Joyce Rodrigues

domingo, 14 de setembro de 2008

Ao encontro de Aaron Stainthorpe



Subúrbio da alma


Estou só.
No momento,
retomando a boca do subúrbio da minha alma.
Não posso ter dó.
No monumento,
escarro tendo fim na laje, que uns homens bateram até que ficasse bem rígida.
Era necessário que fosse dura,
ou levaria no peito as rajadas das metralhadoras
dos homenzinhos que tentam invadir minha favela.
Por isso...
não reclamem do colete que carrego frente o coração...

Estou só.
E estou armada. E isso é necessário.
Tenho apenas um subúrbio na alma para ser tomado,
e mesmo assim, de vez em quando, um pilantra aparece por aqui tentando invadi-la.

Deve ser porque a boca é valiosa...
contém informações e declarações nunca antes ouvidas...

A Reforma que tive que fazer quando tive dó, não tem reembolso.
Então não tenho dó e não tenho dor.
Estou de pé, protegendo o subúrbio da minha alma.
Estou só.
Joyce Rodrigues

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O ralo e o amor do homem


Mote: Pensou um dia a mulher,
que o amor do homem supria-lhe
a carne. Não se sabe se sonho ou concreto
.



CONSIDEREM a louca mijada
jogada no hospício.

Ela questiona a água suja ingerida por toda a vida.
Diz que a água carrega gosto de tristeza.
A água indo tocar sua boca dava-lhe no instante
uma vontade de fazer careta.
Imaginava aquela água triste lavando seu corpo por dentro,
desaguando em suas partes mais íntimas.
Era insuportável mantê-la ali,
em seu corpo, berço sagrado, penitência da alma.
-a água triste não era bem vinda -
Forçava o despejo.
Ardência. Dor.
Finalmente o líquido quente e triste era motivo de seu sorriso, quando indo embora.

A louca,
que não aguentava suprir seu corpo com a água da rua,
andava mijada e feliz.

Com o tempo, eliminar a água triste tornou-se instinto.
O homem forçava-lhe boca adentro,
a louca se ria sabendo defender-se do líquido,
sabendo seu corpo seu guardião.
Água triste, da rua, do homem,
sai de suas entranhas, passa as pernas, vai pelo ralo,
volta a seu copo.

Cansou um dia de ser louca mijada das águas do homem.
Recusou-se definitivamente arreganhar-se, ingeri-la.
O corpo da louca viveu sem água triste uns dias
(nunca a louca foi tão feliz quanto agora, sem a impureza da rua)
pouco depois seu corpo secou... faliu... morreu.
Joyce Rodrigues

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Morte ao museu


Se o tempo perdoasse meus deslizes,
não seria eu agora uma sala de exposições...
A sala, deveria, pelo tempo,
carregar o pó de toda uma lembrança
deixada amontoada e solitária.
No entanto, a sala, sempre limpa,
revela minhas constantes visitas e apreço pelo entulho.
Cada tijolo da casa tombada
é minuciosamente ilustrado com o óleo agridoce, que vaza do meu olhar e é semeado por meus dedos.

Minhas reflexões tentam levantar a casa,
entretanto, a equação é indecifrável.

Assim, como se todos os dias fossem de finados,
eu visito a sala velha, carcomida,
enfeitada de flores, limpa e angustiosa.

Tudo em vão.
O tempo não me perdoa
e fez de mim uma escrava eterna de suas brincadeiras de esconder e achar.

Esconde as chaves
e acha em mim apenas
a sala velha com poesias mortas
porém, limpas dentro.
Joyce Rodrigues

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pacto comigo e só


Quero fazer um pacto com o diabo.
Quero meu coração de volta.
Quero de volta a alma que Deus roubou de mim e estocou no quartinho de entulhos.
Quero de volta o sangue em minhas veias...
Mesmo que me traia.
Mesmo que maligno.
Quero o vermelho da minha vida mesmo que para sujar-me,
mesmo que apenas encha o poço para o afogamento.
Morrer afogada em mim mesma?
Narciso que não me venha cobrar direitos autorais...


Joyce Rodrigues

Cinco sentidos orais


Me acaricia com as palavras porque as mãos não aprenderam a tocar.
Me observa com a memória porque os olhos cegaram-se ao olhar.
Me beija a boca como a testa por querer beijar o coração e isso não se pode dar...

Carinhos com/tensão entre.

Lambidas secas, sem saliva.
Entrega sem mandíbula, sem glândulas, sem química,
não palpável.
Os caninos aprenderam a morder mas não digerem a mulher,
ela volta pelo esôfago
biles pela boca -
a mulher-nada na indigestão.
fuga -
Fuja mulher! (o anjinho da guarda acima do ombro direito sussurra em seu ouvido)
- Acaricia com/tensão entre (palpita a figura oposta, no ombro esquerdo)
Vômito provocado, escapa pela tangente.
Ela esvaiu-se no discurso jorrado do homem...
Toma-se um banho...
“água lava tudo”.

Joyce Rodrigues

Debruçada em Billie Holiday


Debruçada no piano
canto os males arrebatados da vida,
derreto os enigmas indecifráveis,
preparo uma poção de amor etílico
e embriago o sexo quando ainda imaginação.
Sinto-me voltando para casa...

Debruçada no piano
entreguei meu corpo a aquele homem,
cujo charme transbordava em cheiro
e eu em cio, deixei levar-me as virtudes e tudo mais o que quis.
Agora canto os prazeres de sua falta
bebendo o suco de nossa canção.

Debruçada no piano conto a todos as loucuras do nosso amor e das vezes que desvairei de tanta paixão.
Sorrio e disfarço as feridas incuráveis
das pancadas que levei daquele homem,
o qual entreguei a mocidade, a inocência e a capacidade de sentir profundamente a presença de outro qualquer...

Debruçada no piano,
conto as manchas que as lágrimas desbotaram em sua cauda,
que derramei lamentando o que ficou no vazio...
e mesmo assim
sinto-me voltando para casa...
Joyce Rodrigues

Castelo de fumaça


Esconderijo do corpo para dentro dele mesmo.
Passos curtos por estrada longa.
Olhos fixados a terra suja abaixo dos pés
(Para o corpo ela corre mais que o tempo)
Mãos no bolso.
Adeus não há.
Faltam as ilusões no dicionário de minha língua.
Para onde foram as mentiras?
Por acaso escondidas por trás dos muros do homem, ou tomada só para si, para o livro das "verdades"?
São muitas "verdades" para respirar
os pulmões não dão conta...
preciso da nuvem anfetamínica para contaminar essa bondade...
preciso das mentiras para respirar,
muitas verdades poluem a ilusão, antítese da vida...
Imã da terra, pés de ferro,
livro aberto sobre o rosto,
janelas da alma de cortinas fechadas,
o objetivo é dormir,
portanto peguem as pedras que eu estou passando.
Você nunca esteve deitado em sua cama fumando um cigarro e isso é muito estranho pra mim...

Joyce Rodrigues

domingo, 10 de agosto de 2008

A caixa de Pandora


Olá! Como tem passado? Mais um atropela a vida de Pandora, com uma pergunta sem interesse pela reposta. Propriamente: vou bem! E você? Tudo ótimo! Que bom! E lá se vai outro... Pandora prossegue, entretanto, muito interessada pela resposta. Caminha pensando nas centenas de listinhas de auto-ajuda que já fez em sua vida. O que não quer ser, o que quer, defeitos, qualidades, promiscuidades, bondades, com quantos já fez amor, com quantos gostaria de fazer, dos quais se arrepende, quantos livros já leu, quantos prestaram, quantos filmes foram vistos, quais ainda precisam ser, lista dos amigos, de convidados, de supermercado, de Natal... Pandora começa a sentir-se entediada tanto quanto este parágrafo.
Resolve um dia ser sincera. Um dia. Olá! Como tem passado? Estava em alta velocidade. Impropriamente: entediada! E gostaria de falar sobre isso. Podemos nos sentar, tomar um café, conversar um pouco? Infelizmente tenho horário e já estou atrasada. Seria ótimo, um outro dia, beijos. Esta tomará multa, conclui Pandora, que volta a pensar sobre seu tédio. Decide ligar para uns amigos. Oi! E aí? Aluguei um monte de filme cult, quer ver comigo? Podemos aproveitar e tomar um café, colocar o papo em dia... ando precisando de uma conversa... - Ótimo! Que horas? Quando sair do trabalho vou direto para sua casa. Fechado, aguardo você. As horas, protetoras do destino, passaram cumprindo sua defesa e Pandora assistiu seus filmes só. Que vontade de tomar um café! O mundo anda ocupado demais para as sutilezas de uma mulher! Calúnia? Não!! O mundo anda ocupado demais para as sutilezas de uma mulher...
Alô, como vai? Pandora percebe que nenhum interesse, mesmo de sua parte, existe por essa resposta. Rapidamente: quer sair comigo? Tomar um café, conversar um pouco? Claro! Que horas? Agora não posso saber, me liga mais tarde e marcamos. Ok, até mais. Um abraço. O número que você ligou encontra-se desligado ou fora da área de cobertura. Por favor tente mais tarde. Tarde demais!! Esbraveja a mulher e suas sutilezas. Mas o mundo anda ocupado demais para as bravuras de uma mulher... O mundo anda cansado para gentileza e inteligência, mais fácil os manuais, dublagens e traduções. Cada vez mais disposto a automatização, a significância do insignificante – (pelo menos para mim)- que não me sinto tomado por esta Terra. Não há seres humanos, há urubus em lixões atrás de carniça. Como Pandora pôde imaginar! Um ser humano de carne, coração e cérebro a passear pelas rodovias desta Terra! A mulher que esbraveja sutilezas enganou-se, obviamente.
Certo dia, Pandora teve um encontro inesperado! Poderia finalmente dividir seus pensamentos, dúvidas e convicções. Falar o quanto quisesse, gritar, xingar, elogiar-se, contar mentiras, ser inocente, indefesa, sonsa, puta, advogada, Deus! Neste amigo ela poderia confiar! Via-se num tapete mágico de Aladim sobrevoando suas conversas engasgadas. Entrou por um túnel semelhante a um grande ouvido. Deslizava e ria convulsivamente: caixa timpânica, martelo, bigorna, estribo, tímpano, janela redonda, trompa de eustáquio, labirinto... Pandora boba e sua descoberta. Nada poderia se comparar a leveza, a paz, do infinito papel que estendido estava diante de sua língua. Área de broca. Área de Wernicke.
Dava bailes e saraus todos os dias! Papel, caneta e punhos, todos dançavam coordenadamente a música de seus poemas...
Olá! Como vai? Eu poderia falar com Pandora? Pandora se mudou. Não mora mais aqui. E para onde ela foi? Quando vai voltar? Por trás daquela porta está o corpo inepito de Pandora, dentro do papel que lá está, reside a alma de uma mulher e suas incompreensíveis sutilezas.
Joyce Rodrigues

Quando a corda partir


Ela busca dentro do seu seio revirado
respostas para as perguntas do seu eu comovido.
Vive a remexer as entranhas dos umbrais
a fim de que se migrem do seio revirado para a mente
a simplicidade das carícias que vive seu corpo.

Carícias, incógnitas...
Acaricia e espanca
Um jogo de claro e escuro.
Ela não suporta mais se perder...

Prossegue naqueles trilhos
que circulam em seus seios roxo-magoado.
Na garganta, a quentura de uma língua presa.
Há um trava-línguas que une a garganta aos seios revirados.
A rata rumina as razões da rainha.
Tranca os lábios.
Portais não há.
Ela, a rata, não cospe nem engole
Deixa roçar no palato da rainha.
Joyce Rodrigues

Eclipse do azar


Me pega seu cigarro
me traga toda de uma só vez
joga fora cospe bem longe.

... fez minha pessoinha chorar...

O tilintar daquelas chaves fez-me lembrar ser arremessada fora.
E eu ia imaginar?
Dentro do ônibus
o tilintar daquelas chaves soprar-me tão longe, tão no passado... fazendo peitinho de pessoinha vibrar com o tilintar das chaves lembrando sua presença imponente perante pessoinha...

E eu ia pensar?
Um dia de sol peito rachado feito terra de sertão.
Dia de sorrir, entretanto momento de secar.

Pegou-me de surpresa...
o bater três vezes daquela chave naquele instante me fazendo de novo toda seu cigarro tragada de uma só vez tremida de corpo inteiro queimadura de terceiro grau nessa pessoinha em que fui arremessada ao tilintar daquelas chaves...
Joyce Rodrigues

Estátua de pele


Quatro paredes com pessoas dentro.
Reboco, entulho, concreto
Pessoas com paredes dentro.
Vira-se, revira-se
segue-se a receita
um pouco de água para não ser tão duro
para não ser seco
um pouco de amor para não ser pobre.

Desanda.

Reforma.

Empilha-se os tijolos
aos poucos se ergue o nariz
pessoas em retalhos de massa
pessoas em bloco
pessoas de barro.

Cai a chuva
Revira-se se vira...
tijolos no estômago
emboço para disfarçar os pedaços
- pessoas de tijolos com um pouco de amor e emboço para não ficar pobre, disfarça o tijolo dentro -
32 dentes, alguns órgãos, quatro litros de sangue, um coração para gastar energia
segue-se a receita
pessoa pronta para morar a parede dentro

mão-de-obra

faltam os detalhes

falta a pessoa

Um primor de cômodo
segue-se a receita...
incômodos dentro de pessoas dentro de paredes
deve ser a liga...
Vira-se revira-se...
demolição do primor
poeira poeira
obra prima vira lápide
seis paredes com pessoa dentro.
Joyce Rodrigues

Kamikaze


Saindo desse mundo fértil para o descampado do meu plantio.
Eu planto o que já foi morto a fim de que brote o além.
Navego nessa doentia estrada
remota, sugadora, onírica, nociva...

Passos-bomba, eu já explodi tudo!

Traço outro plano
deixo pílulas tarja preta como rastro.
Vi um passarinho sorrir pra mim hoje
depois percebi que ele tinha engolido uma pílula...

Ninguém ri são no meu mundo.

Alguém no meu rastro...
Navego pelos vermes brotados, estou seguro ali.
Mais um caiu na emboscada
Sorri pra mim, ele está anestesiado...

Ninguém não anestesiado sorri pra mim no meu mundo.

Eu salto do barco
Passos-bomba eu explodo tudo!
Peguei os restos e pus numa moldura no meu barco.
Fiquei lá esperando o próximo...

Sorrisos-bomba
só tem sorrisos-bomba no meu mundo...
Joyce Rodrigues

Cegueira da Alma


Posso dizer a você que não existe.
A você que não lê este poema,
as formas que se modularam o útero que vivo,
o sabor rascante do líquido que sustenta meu infinito,
a cor encardida do travesseiro que tortura minha cabeça pesada,
o odor rosa negro exalado de minha boca gritante.

Posso dizer a você , um você que tem ouvido,
mas não capacidade de escutar este poema;
quantos paraísos capinei para ser admitida no inferno,
quantas nuvens eu chovi para desafogar o ódio,
quantas vezes fingi que dormia para acreditar ser pesadelo.

Posso dizer a você, que possui olhos mas não pode enxergar este poema,
porque não possui meios de relacionar-se com um espectro.
A este você não posso dizer nada.
A este você o que sai desparafusado é bagunça.
No entanto, é a oportunidade de construir.
Mas sem sentidos para poema do livro fez-se pouco
sem sentidos para poema o livro fez-se torto
sem poema para os sentidos a vida fez-se morte.

Quantas catacumbas arrombei para encontrar uma palavra perdida!
Mas agora a palavra encontra-se sem casa...
porque do livro fez-se mau sentido e não tocado.
A rainha palavra mal entendida foi ignorada.
Nada adiantou
mãos calejadas
testa suada
saliva pingava
poema sem teto.

Para que você, olhos, ouvidos, grunhidos.
Correntes, reflexo, óculos de grau e ainda miopia.
Para que o poema se ainda miopia?
Joyce Rodrigues

Presente de Grego


Desde que fomos homens fala-se um livre-arbítrio,
mas nunca em só um homem tantas bifurcações.
Punha-me a trilhar a vida como quem a vive
mas para isso quantas vezes não tive que assassiná-la.

Viva vida pós vida!

Podia eu estar sozinho, quieto,
de preto numa parede preta
que lá estava ela;
Na minha frente uma bifurcação
Numa plaquinha escrito livre-arbítrio.
Olho para um lado; névoa rubra e uma quentura espetava-me a alma,
sendo inevitável não recuar...
Olho para o outro; brancura daltônica e sombria,
rodeava-me de rostos santificados e punidores,
sendo inevitável não recuar...

Sem saída, me encontrava no vão central da ponte Rio/Niterói.
Não sentia fogo nem brancura
e sim uma brisa que parecia ninar-me ao colo...
Não fui eu quem escolheu,
mas pulei naquele concreto de água abaixo.

Viva vida pós vida!

Acordei sozinho, quieto
de preto numa parede preta...
Um minuto após estava lá, a plaquinha escrito livre-arbítrio a me encarar.
E...
não fui eu quem escolheu,
o tapete carrasco sugava-me
eu pulava!

Viva vida pós vida!

Punha-me a trilhar a vida como quem a vive...
Discurso errôneo num pano de fundo errôneo...

Uma reciclagem a vida...
Pessoas pequenas que se tornam sentimentos negros que se tornam más escolhas que se tornam tapetes de pedra, que se tornam pessoas pequenas que se tornam sentimentos negros que se tornam más escolhas...
Joyce Rodrigues